RPG é a abreviação de "Roleplaying
game", que em português seria "jogo de interpretação de
papéis". O jogo consiste em criar um personagem, com a ajuda de um mestre
que cria a história, se tornar o personagem central para o desenvolvimento da
trama. Normalmente uma partida de RPG é composta de um mestre/narrador,
que desenvolve o enredo e é responsável por todos os personagens que não são
aqueles controlados pelos jogadores, e por pelo menos um jogador, apesar de
alguns mestres preferirem desenvolver a história com mais jogadores.
O RPG tem como objetivo primeiro a
interação lúdica entre os participante, mas existem estudos que mostram seu
valor em outros campos de desenvolvimento intelectual e como ferramenta
pedagógica, como tenta mostrar a professora Sonia Rodrigues, doutora em
literatura pela PUC-Rio, em seu livro "Roleplaying Game e a pedagogia da
imaginação no Brasil".
Muitos mestres/narradores de RPG
se utilizam de diversos artifícios para possibilitar maior imersão em suas
partidas. As possibilidades são muitas, desde preparar o ambiente em que os
jogadores se encontram para se divertir, até usar fotos e mapas com imagens
para o jogador visualizar melhor onde está, facilitando e potencializando,
assim, a descrição. Um destes recursos é a trilha sonora e é sobre ela que
iremos falar neste texto, mas antes de falarmos sobre a utilização do som na
partida de RPG, vamos falar um pouco sobre a história da trilha sonora no
teatro e no cinema.
Trilha sonora no Cinema,
breve histórico:
O cinema nunca foi totalmente
mudo, havia antes uma dificuldade de sincronizar o som à imagem, mas o som
sempre esteve presente. A estranheza que causa a nós, espectadores, uma imagem
completamente silenciosa, ou o som dissociado da imagem, pode impossibilitar até
mesmo a compreensão do que está sendo visto ou ouvido. Acompanhar imagem sem
som é incômodo, e isso não se deve à cultura recente televisiva, remonta de bem
antes. Encontramos exemplo disso no teatro Grego clássico, quando as cenas da
tragédia grega eram acompanhadas pelos sons dos côros cênicos ou ditirambos.
Como afirma o professor Filipe Mattos de Salles, doutor
em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP:
“O mesmo ocorreu no cinema, desde sua
criação pelos irmãos Lumière em 1895. O fato é que o som no cinema sempre foi
importante, enfatizando, criando ou até redundando climas narrativos na imagem.
No cinema mudo, havia um pianista nas salas de concerto encarregado de criar
estes climas nas cenas, improvisando sobre um repertório próprio conforme
sentia as imagens, e que geralmente cumpriam uma função meramente ilustrativa.
Nas salas mais afortunadas podíamos até encontrar orquestras inteiras tocando,
muitas vezes com partituras originais para o filme.”
SALLES, Filipe Mattos. A Origem da
Trilha Sonora.
Com o advento do sistema de sonorização
no cinema com a famosa máquina VITAPHONE lançada em 1927, foi repensada a
função do som nos filmes com a possibilidade não só de utilizar música, mas
também diálogos e ruídos. A evolução do som no cinema para encontrar cada vez
mais a imersão do espectador e atingir a atmosfera necessária para
potencializar a narrativa utiliza-se muitos recursos mas a trilha sonora é
fator quase que indispensável para atingir estes objetivos. Muitas vezes é
comum que a história e a música tenham ligação inseparável como diz novamente o
professor Fillipe Mattos de Salles:
“Então caminham lado a lado, a história
e a música (…) Nestes casos o clima é substancialmente bem construído, pois o
diretor já sabe como trabalha o compositor antes mesmo da partitura estar
completa.”
SALLES, Filipe Mattos. A Origem da
Trilha Sonora.
Grandes compositores criaram
verdadeiros marcos para o som no cinema, levando fãs do mundo inteiro a lembrar
mais facilmente da música do que de imagens do próprio filme. Podemos citar
alguns exemplos:
“Psicose”, filme dirigido por Alfred
Hitchcock e trilha sonora assinada por Bernard Herrmann:
"Tubarão”, filme de Steven Spielberg e trilha sonora de John Williams:
"Tubarão”, filme de Steven Spielberg e trilha sonora de John Williams:
“Carruagens de Fogo”, direção de Hugh
Hudson e trilha assinada por Vangelis:
“2001 – Uma Odisséia no espaço”,
direção de Stanley Kubrick e música "Assim falava Zarathustra"
de Strauss.
O RPG e
o som:
Os mestres/narradores podem sim
utilizar o som como forma de ajudar a construir uma atmosfera mais específica e
empolgante. É comum que no planejamento da partida o mestre/narrador escute uma
música para deixá-lo mais sensível a atmosfera que a cena exige, ajudando os
jogadores na imersão do cenário que ele está planejando. Neste momento a
criação da cena pode ficar associada a alguma música, e levar esta música para
a mesa de jogo é um artifício que pode possibilitar aos jogadores estarem na
mesma emoção do mestre/narrador no momento da criação da mesma.
Também é comum a utilização de uma
música ambiente para climatizar o cenário e deixar os jogadores envolvidos
naquela ação ou cena que está se desenvolvendo. Assim a música torna-se um
elemento que ajuda na narrativa e deixa o jogador cada vez mais dentro da cena,
assim como acontece no cinema com os espectadores, sendo que aqui o jogador é
um elemento ativo na ação, o que torna ainda mais empolgante.
A utilização da trilha sonora nas
partidas possibilita uma força a mais na imersão dos jogadores e
mestres/narradores e, sem dúvida, é uma rica ferramenta para compor uma partida
de RPG.
Sugestões de trilhas
sonoras:
Vampire The Dark Ages: Vangelis, Cantos
Gregorianos, Virgin Black, Arcana.
Mage The Ascension: Diary of Dreams,
Autumn Tears, Alice in Chains, Tool, Lacrimas Profundere.
D&D: Trilha Sonora de O Senhor dos
Anéis, Blind Guardian, Arcana, Midnight Syndicate Official D&D Soundtrack.
Shadowrun ou
CyberPunk: Diary
of Dreams, Raps variados, Trilha sonora de Vangelis para o filme Blade Runner,
Poets of Fall, Umbra Et Imago, Imago Mortis.
Ass.: Soares Júnior.
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